Mosca-branca e Spodoptera: o que pesquisadores pedem ao produtor do oeste baiano
Encontro da Aiba reuniu mais de 110 pessoas; curso para monitores em Luís Eduardo Magalhães (BA) é o próximo passo, em 30 de outubro.
Com a soja 2026/27 em plantio no oeste baiano, o monitoramento de pragas virou prioridade. Foi esse o recado do I Encontro Entomológico, realizado no sábado (17) pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), por meio do Instituto Aiba, na Fazenda Modelo Paulo Mizote. Mais de 110 produtores, agrônomos, estudantes, pesquisadores e parceiros participaram, segundo a Aiba.
Para o professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) Marco Antonio Tamai, a mosca-branca e o complexo de lagartas Spodoptera são as duas pragas-chave do sistema de produção. Ele afirmou que a mosca-branca tem dado muito prejuízo na região nos últimos dois ou três anos, tanto na soja quanto, principalmente, no algodão. Entre as lagartas, destacou a Spodoptera frugiperda, que ataca praticamente todo o sistema produtivo. Mesmo quem já conhece o problema, disse ele, precisa manter atenção aos pontos de monitoramento.
Pragas em cada cultura
A programação reuniu palestras e rodadas práticas em laboratório sobre as principais pragas de três culturas:
- Soja: lagartas Spodoptera e Helicoverpa, além dos percevejos;
- Algodão: bicudo-do-algodoeiro e mosca-branca;
- Milho: cigarrinha-do-milho e lagarta-da-espiga.
Segundo o conteúdo técnico apresentado, a falta de controle pode causar prejuízos sérios, porque esses insetos têm grande capacidade de adaptação e de passar de uma cultura para outra.
Djison Silvestre, doutor em Proteção de Plantas e coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da JCO Bioprodutos, defendeu o manejo integrado, que combina vários métodos de controle. Segundo ele, o insumo biológico não serve só para controlar uma praga: por atuar com modo de ação diferente, também ajuda a prolongar a vida útil dos inseticidas químicos.
O doutor em Agronomia Douglas Gonçalves Guimarães, que falou sobre as pragas do algodoeiro, destacou a identificação correta. A lagarta Helicoverpa se parece com outras espécies da região, e pequenos detalhes físicos fazem diferença. O bicudo é mais fácil de distinguir, mas exige conhecer o ciclo biológico, incluindo as fases ninfal e adulta. Ele afirmou que são pragas que causam prejuízos na casa dos milhões.
Contexto da safra e próximos passos
O calendário da soja 2026/27 no oeste baiano, definido pelo CTR da Soja em Barreiras com Aiba e Abapa, prevê o plantio convencional de 8 de outubro a 31 de dezembro de 2026. É nesse período que os monitores de pragas estão em campo.
O coordenador de campo do Instituto Aiba, João Vittor Saraiva, disse que as inscrições do encontro se esgotaram em dois dias. Segundo ele, a Fazenda Modelo tem um laboratório de entomologia voltado a pesquisa, inovação e formação de mão de obra, e o tema ganha peso com a nova safra começando.
A Aiba prepara mais duas atividades técnicas em Luís Eduardo Magalhães (BA):
- 30 de outubro: Curso de Manejo de Pragas e Doenças para Monitores Agrícolas, exclusivo para associados;
- 27 e 28 de novembro: II Fórum de Irrigação da Bahia (FIBA), aberto a todos os públicos.
A Aiba não divulgou, até aqui, números de infestação da safra 2026/27.
