Matopiba planta 211 mil hectares a mais de soja, mas a Conab prevê colher menos
A região responde por 30% do aumento de área do Brasil na safra 2026/27; a produção prevista cai 304 mil toneladas com produtividade menor nos quatro estados
O Matopiba vai plantar mais soja na safra 2026/27 e, pela primeira estimativa da Conab, colher menos. O 1º levantamento da safra de grãos, divulgado em 15 de outubro, prevê 6,74 milhões de hectares de soja em Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, 210,8 mil hectares a mais que em 2025/26. A produção prevista, porém, cai de 25,36 milhões para 25,05 milhões de toneladas: 304 mil toneladas a menos.
O peso da região no crescimento do país é grande. A Conab prevê 697,2 mil hectares a mais de soja no Brasil, e quase um terço desse aumento (30,2%, pela conta do MATOPIBAFAZ sobre a tabela da Conab) está nos quatro estados do Matopiba. No país, a produção estimada é de 181,6 milhões de toneladas, alta de 0,7%.
Estado por estado
- Bahia: área de 2,26 milhões de hectares (+2%) e produção de 9,21 milhões de toneladas (−2,6%).
- Tocantins: 1,72 milhão de hectares (+4,3%) e 5,95 milhões de toneladas (−0,8%).
- Maranhão: 1,6 milhão de hectares (+3,3%) e 5,59 milhões de toneladas (+1,4%), o único dos quatro com produção maior.
- Piauí: 1,15 milhão de hectares (+4%) e 4,31 milhões de toneladas (−2,1%).
A conta da produtividade
A diferença está no rendimento por hectare. A Conab reduziu a produtividade nos quatro estados: no Piauí, de 3.966 para 3.733 quilos por hectare (−5,9%); no Tocantins, de 3.642 para 3.464 (−4,9%); na Bahia, de 4.260 para 4.069 (−4,5%); e no Maranhão, de 3.552 para 3.488 (−1,8%).
Para o Brasil, a companhia atribui a produtividade menor a dois fatores: a base alta da safra 2025/26, que teve rendimentos elevados, e as incertezas do clima para o ciclo que começa agora.
A conta usa os quatro estados inteiros, como a Conab publica os dados; a área de soja desses estados fica quase toda dentro do Matopiba. Por ser a primeira estimativa da safra, os números ainda vão mudar nos próximos levantamentos mensais, conforme a chuva confirmar ou não a janela de plantio no oeste baiano, no sul do Maranhão, no sudoeste do Piauí e no Tocantins.

