Bicudo aparece em todos os núcleos da Abapa, e produtor pode discutir controle
Capturas em armadilhas foram elevadas na quarta semana; Abapa Conecta segue por Cocos, Correntina e Guanambi até 5 de novembro
O bicudo-do-algodoeiro já foi identificado em todos os núcleos produtivos da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). Segundo o gerente Fitossanitário da entidade, Giorge Gomes, o acompanhamento por armadilhas na quarta semana indicou níveis elevados de captura, com variações entre os núcleos. Os dados foram apresentados em 20 e 21 de outubro, na retomada do Abapa Conecta, em Roda Velha, distrito de São Desidério (BA), e em Luís Eduardo Magalhães (BA).
“Já identificamos a presença do bicudo em todos os núcleos. Esses dados reforçam a importância do monitoramento constante e do acompanhamento das medidas fitossanitárias em cada região”, disse Gomes. As discussões técnicas trataram das medidas de controle durante a entressafra.
Agenda dos próximos encontros
O Abapa Conecta foi criado em 2025 como canal de diálogo entre a associação e os cotonicultores, sobretudo os de localidades distantes dos grandes centros do Oeste baiano. Em balanço de dezembro de 2025, a Abapa informou que a primeira temporada teve seis encontros regionais e cerca de 170 produtores, além de técnicos e gestores de fazendas.
Os próximos encontros são:
- 27 de outubro: Fazenda Santa Colomba, em Cocos (BA), para o núcleo Jaborandi/Cocos;
- 28 de outubro: Fazenda Tapera Grande, em Rosário, distrito de Correntina (BA), para o núcleo Rio Grande/Rosário;
- 5 de novembro: Guanambi (BA), para os produtores do Sudoeste baiano.
A programação inclui defesa fitossanitária, qualidade da fibra, sustentabilidade, capacitação e educação. As equipes apresentam indicadores dos programas da Abapa e abrem espaço para dúvidas e sugestões. Para o vice-presidente Douglas Orth, o diálogo deve resultar em encaminhamentos, e as ideias dos produtores são bem-vindas.
Os encontros também mostraram resultados das regulagens e aferições de aeronaves feitas no Programa de Qualidade de Aplicação, que busca melhorar a pulverização.
Em 2025, a Abapa reorganizou os Núcleos Produtivos: de 18 núcleos focais (15 no Oeste e três no Sudoeste) passou-se a sete (seis no Oeste e um no Sudoeste). Segundo a associação, a nova configuração reúne regiões com características diferentes e favorece a troca de experiências.
InfoFITO: dados da fazenda em um só lugar
A associação também detalhou o InfoFITO, plataforma ainda em desenvolvimento que pretende integrar dados de manejo fitossanitário, operações agrícolas e qualidade da fibra. A proposta, segundo Gomes, é cruzar essas informações para que o produtor veja o que acontece em cada talhão, compare resultados e identifique onde pode melhorar. A Abapa diz que a ferramenta se alinha à experiência acumulada pelo seu Centro de Análise de Fibras.
A presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, afirmou que o produtor de algodão gera um volume enorme de informações e que a entidade quer reuni-las, conectá-las e devolvê-las de forma que façam diferença no negócio.
O anfitrião do encontro em Roda Velha, o produtor Marcelo Kappes, disse que a iniciativa ajuda a entender a dimensão do trabalho da associação, inclusive nas áreas de bastidores que defendem os produtores.
Contexto da safra
O monitoramento vem depois de uma safra que a Abapa estima, em 2026, em mais de 1 milhão de toneladas de pluma na Bahia, em cerca de 417,9 mil hectares, com produtividade de 2.360 kg de pluma por hectare.


