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Terça-feira, 27 de outubro de 2026 Luís Eduardo Magalhães (BA)
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Campo e produção

Cacau no cerrado: Cocos (BA) colhe por hectare seis vezes mais que Ilhéus (BA)

O município do oeste baiano tirou 1.540 kg de cacau por hectare em 2025, três vezes a média do Brasil, e colhe mais da metade do cacau do Matopiba

Por Redação MATOPIBAFAZ ·
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Frutos de cacau (Theobroma cacao); a foto não é de Cocos (BA)
Frutos de cacau (Theobroma cacao); a foto não é de Cocos (BA) · Foto: CostaPPPR/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O cacau mais produtivo da Bahia, por hectare, não está no sul do estado. Pelos dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025 do IBGE, Cocos (BA), no cerrado do oeste baiano, colheu 1.540 quilos de cacau em amêndoa por hectare no ano passado. Em Ilhéus (BA), símbolo da lavoura cacaueira no país, o rendimento foi de 233 quilos por hectare, mais de seis vezes menos.

A comparação com as médias também chama atenção. O rendimento do cacau no Brasil foi de 505 quilos por hectare em 2025, e o da Bahia, de 322. Cocos (BA) ficou três vezes acima do país e quase cinco vezes acima do próprio estado.

Pouca área, muito rendimento

O volume total ainda é pequeno perto das regiões tradicionais. Cocos (BA) colheu 479 toneladas em 311 hectares, uma produção que valeu R$ 19,3 milhões. Ilhéus (BA) colheu 9.135 toneladas, mas em 39,2 mil hectares de cacau. A Bahia inteira produziu 137,6 mil toneladas em 427,4 mil hectares.

A lavoura de Cocos (BA) também é nova na estatística. Até 2023, o IBGE não registrava cacau no município. A primeira safra apareceu na pesquisa de 2024, com 480 toneladas em 320 hectares e rendimento de 1.500 quilos por hectare. Em 2025, o resultado se manteve no mesmo patamar.

No Matopiba, Cocos (BA) responde por mais da metade do cacau colhido: 479 das 905 toneladas da região em 2025, pela soma do MATOPIBAFAZ sobre os 337 municípios. Riachão das Neves (BA), também no oeste baiano, vem em seguida, com 118 toneladas e 1.475 quilos por hectare. No Tocantins, Tocantinópolis (TO) colhe 276 toneladas em 92 hectares.

Entre os estados, o Pará, maior produtor do país, com 153,6 mil toneladas, teve rendimento médio de 901 quilos por hectare em 2025. Rondônia chegou a 1.217 quilos e o Espírito Santo a 827.

O IBGE não detalha o sistema de produção de cada município. A PAM mede área colhida, produção, rendimento e valor, declarados pelos informantes de cada cidade. O dado mostra que o oeste baiano, conhecido pela soja, pelo algodão e pelo café irrigado, também já tem cacau entre as lavouras com resultado acima da média nacional.

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