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Terça-feira, 27 de outubro de 2026 Luís Eduardo Magalhães (BA)
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Adido dos EUA vê no Matopiba o espaço para a soja crescer, com área do Brasil mais lenta

Relatório do USDA prevê 184 milhões de toneladas em 2026/27 e área só 1,4% maior, freada por juros e custos. Pela Conab, 30% do aumento fica no Matopiba

Por Redação MATOPIBAFAZ ·
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Imagem do satélite CBERS-4 mostra lavouras e pivôs centrais nas chapadas de Barreiras (BA) e Riachão das Neves (BA)
Imagem do satélite CBERS-4 mostra lavouras e pivôs centrais nas chapadas de Barreiras (BA) e Riachão das Neves (BA) · Foto: Inpe, Coordenação-Geral de Observação da Terra/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília colocou o Matopiba no centro da expansão da soja brasileira. No relatório divulgado na sexta-feira (24/10), o adido agrícola americano prevê que o Brasil colha 184 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, quase 2% acima dos 180,5 milhões de 2025/26. Seria o terceiro recorde seguido. Segundo o relatório, a região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia concentra o potencial de crescimento da área, por ter terra apta disponível e pela melhora prevista na logística, com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que vai ligar Figueirópolis (TO) a Ilhéus (BA) em cerca de 1.527 quilômetros.

O mesmo relatório mostra um país que planta com mais cautela. A área de soja do Brasil deve passar de 49 milhões para 49,7 milhões de hectares, alta de 1,4%. Nos últimos cinco ciclos, a média foi de 4,2% ao ano. A estimativa de área foi revisada para baixo em relação à projeção inicial, e o adido aponta os juros elevados e o aumento dos custos de produção como os fatores que limitam a abertura de novas áreas. A previsão de exportação é de 117,5 milhões de toneladas, alta de 2,1%. A conta oficial do USDA em Washington, no relatório de oferta e demanda de outubro, é um pouco maior: 186 milhões de toneladas de produção e 118 milhões de exportação.

A Conab chega ao mesmo mapa

O primeiro levantamento da Conab para 2026/27, publicado em 15 de outubro, já mostrava o peso do Matopiba na soja nova. Pela conta do MATOPIBAFAZ sobre a planilha da Conab, os quatro estados somam 6,74 milhões de hectares de soja, 210,8 mil a mais que na safra passada. É 30% de todo o aumento previsto para o Brasil, de 697,2 mil hectares. O Tocantins cresce 4,3%, o Piauí 4%, o Maranhão 3,3% e a Bahia 2%.

A colheita, porém, não acompanha a área. A Conab prevê produtividade menor nos quatro estados, depois dos rendimentos altos de 2025/26, e a produção somada deve cair 304,2 mil toneladas, para 25,05 milhões. No Piauí, a queda esperada de produtividade é de 5,9%, e na Bahia, de 4,5%.

O adido também registra o El Niño entre os riscos da temporada. Para ele, a maior preocupação está nas lavouras de segunda safra, o milho safrinha e o algodão, que no Matopiba dependem da chuva do fim do ciclo. Para o produtor da região, o relatório confirma que o mercado internacional conta com a soja do Matopiba para o Brasil crescer, num ano em que o custo do dinheiro pesa na decisão de abrir área.

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