Adubo: entregas caem 22,3% em julho e Itaqui (MA) leiloa área de armazenagem
Retração começou em maio, com a guerra no Irã; leilão de 9 de dezembro pode ampliar a estrutura de fertilizantes que atende o Matopiba.
As entregas de fertilizantes no Brasil somaram 3,96 milhões de toneladas em julho de 2026, queda de 22,3% sobre julho de 2025, segundo a Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos). A associação atribui o recuo à desaceleração das compras e à lentidão das importações. Para o Matopiba, que planta a safra 2026/27 com insumo em grande parte importado, o dado pesa na conta e na logística.
A retração é recente. No primeiro semestre, as entregas haviam caído 5,4%, e o recuo aparece a partir de maio, depois do início da guerra no Irã: em maio, a queda foi de 14,7%, segundo a Anda. Em janeiro, o cloreto de potássio e o superfosfato simples já estavam cerca de 20% acima do preço do ano anterior.
Dependência de importação
Em 2025, Irã e Omã responderam por 18,4% das importações brasileiras de ureia: 1,5 milhão de toneladas de um total de 8,2 milhões. Isso explica por que o conflito no Oriente Médio chega ao custo do produtor, inclusive nas fazendas do Maranhão, do Tocantins, do Piauí e do oeste baiano.
A Bahia aparece em 7º lugar no ranking de entregas por estado no primeiro trimestre de 2026, com 541 mil toneladas, segundo a Anda. Os dados da associação consultados não separam os estados do Matopiba nem trazem preços por praça, como Barreiras (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Balsas (MA), Uruçuí (PI) ou Porto Nacional (TO).
Como termo de comparação, o Imea projeta alta de 3,21% no custo de produção da soja 2026/27 em Mato Grosso, com fertilizantes e corretivos subindo 5,40%. O dado é de Mato Grosso e não vale para o Matopiba. Em julho, a Sicredi via alívio de custos com a estabilização do mercado de fertilizantes.
Itaqui e a armazenagem de adubo
O Porto do Itaqui, em São Luís (MA), tem leilão marcado para 9 de dezembro de 2026, na B3, da área IQI16, segundo a Antaq. O contrato é de 25 anos, com capacidade para 70 mil toneladas de armazenagem e 1,008 milhão de toneladas por ano. O único terminal de adubo do porto, da Copisi, não absorve todo o volume.
Os fertilizantes chegam ao Itaqui como carga de retorno e seguem por ferrovia até terminais no Tocantins, em Palmeirante e Porto Nacional (TO). A produção de grãos do Matopiba foi de 35 milhões de toneladas na safra 2022/23, e o Ministério da Agricultura prevê 48 milhões de toneladas em 2032/33, o que aumenta a demanda por insumo na região.
Safra 2026/27
A Conab projeta 181,6 milhões de toneladas de soja no país em 2026/27, com área 1,4% maior. A companhia não divulgou, nas fontes consultadas, projeção por estado do Matopiba.
Ainda não se sabe quanto a queda das entregas vai alterar a aplicação de adubo na safra regional. O resultado do leilão do Itaqui, em dezembro, mostrará se a capacidade de armazenagem de fertilizante no Maranhão vai aumentar.

