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Tecnologia

Gilbués (PI) colhe milho em solo degradado, mas ainda sem número de produtividade

Núcleo de pesquisa usa biofertilizante, hidrogel e curvas de nível em 10 áreas; produtividade e custo por hectare ainda não foram divulgados

Por Redação MATOPIBAFAZ ·
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Vista aérea de área em recuperação em Gilbués (PI), com solo exposto, covas abertas e equipe plantando mudas no núcleo d
Vista aérea de área em recuperação em Gilbués (PI), com solo exposto, covas abertas e equipe plantando mudas no núcleo de pesquisa · Foto: Divulgação/pi.gov.br

O Núcleo de Pesquisa de Recuperação de Áreas Degradadas (Nuperade), em Gilbués (PI), no sul do Piauí, colheu os primeiros milhos do projeto atual, que testa técnicas de recuperação do solo em área afetada pela desertificação. Segundo o Governo do Piauí, dez áreas passaram por intervenções. A produtividade do milho experimental não foi informada.

O dado importa para quem produz na região porque Gilbués (PI) é descrito pelo governo estadual como um dos núcleos históricos de desertificação do Brasil. Perdas de cobertura vegetal e erosão, em um contexto que incluiu a exploração de diamantes, afetaram a qualidade do solo e a capacidade produtiva. O que o núcleo mostra é se a terra erodida volta a produzir com manejo acessível.

O que está sendo testado

As pesquisas combinam três frentes:

  • correção do solo com biofertilizante;
  • hidrogel, que fornece água às mudas no verão e, segundo o pesquisador Lucas Ferraz, melhora a taxa de sobrevivência das plantas;
  • curvas de nível, que retêm a água da chuva e reduzem a erosão.

Além do milho, o espaço acompanha caju, acerola, tamarindo, tomate e cenoura. Ferraz, responsável técnico pelo manejo de plantas, disse que as primeiras mudas de caju foram implantadas há um ano e já floriram, o que ele considera resposta positiva às técnicas. Acerola e tamarindo também estão se desenvolvendo e florindo, segundo ele.

O projeto é conduzido pela Fapepi e pela Semarh, com a UFPI, o INCT em Polissacarídeos e a AFERT BioFertilizantes. A articulação começou em 2023, e um mapeamento da área, em junho daquele ano, orientou as intervenções. A Semarh faz o monitoramento.

Escala e o que falta saber

Em 17 de junho de 2025, Dia Mundial de Combate à Desertificação, o governo estadual anunciou a reativação do núcleo, que funciona em Gilbués (PI) desde 2006. O projeto atual roda em 10 hectares e tem meta de recuperar até 1.600 hectares até 2029, segundo reportagens de 2025.

O agricultor Francisco Washington disse que em Gilbués (PI) tudo o que tentou plantar, de girassol a repolho, produziu bem. Para ele, ainda faltam mais tecnologia e regularização fundiária. A fonte também aponta o potencial de reduzir a dependência de hortaliças vindas de Barreiras (BA).

Os próximos passos são avaliar o desempenho das soluções e a possibilidade de aplicá-las em outras áreas degradadas. Ainda não há divulgação de produtividade, custo por hectare ou prazo para que produtores adotem as técnicas. Sem esses números, o milho de Gilbués (PI) não pode ser comparado com as médias da safra do estado.

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